
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Dutasterida e finasterida são os dois medicamentos inibidores da 5-alfa-redutase mais usados no tratamento da calvície androgenética masculina.
Os dois funcionam pelo mesmo princípio — reduzir os níveis de DHT, o hormônio que causa a miniaturização dos folículos capilares — mas diferem em potência, mecanismo e perfil de efeitos colaterais.
Este artigo reúne o que os estudos clínicos mostram sobre a eficácia e a segurança de cada um.
Principais pontos
- Tanto a dutasterida quanto a finasterida pertencem à mesma classe de medicamentos: inibidores da 5-alfa-redutase.
- Isso significa que bloqueiam a ação de uma enzima que converte a testosterona em um hormônio mais potente chamado DHT, responsável pela queda de cabelo.
- Em estudos comparativos, a dutasterida mostrou ser mais eficaz que a finasterida.
- Mas isso não significa que seja a melhor opção para você. O ideal é conversar com um profissional de saúde.
- Os efeitos colaterais são semelhantes entre as duas. A dutasterida permanece no organismo por mais tempo, então seus efeitos podem durar mais após a interrupção.
Semelhanças entre dutasterida e finasterida
Tanto a dutasterida quanto a finasterida fazem parte de uma classe de medicamentos chamada inibidores da 5-alfa-redutase e são indicadas para tratar a calvície androgenética.
Na prática, as duas agem reduzindo a produção de DHT (di-hidrotestosterona), um hormônio derivado da testosterona que é o principal responsável pela queda de cabelo. É esse hormônio que faz os fios ficarem cada vez mais finos, até pararem de crescer.
A calvície androgenética acontece porque os folículos capilares (onde nascem os fios) têm receptores sensíveis ao DHT. Quando o DHT se liga a esses receptores, ele inicia um processo de enfraquecimento progressivo dos fios. Por isso, diminuir os níveis desse hormônio é a base do tratamento com finasterida e dutasterida.
Diferenças entre finasterida e dutasterida
Enquanto a finasterida bloqueia apenas um tipo da enzima responsável por transformar a testosterona em DHT (tipo II); a dutasterida bloqueia dois tipos dessa enzima (tipo I e tipo II).
Como essa conversão acontece por meio dos dois tipos, a dutasterida acaba reduzindo o DHT de forma mais ampla no corpo.
Isso ajuda a explicar por que, em alguns estudos, ela apresenta resultados mais fortes. Um estudo publicado no Journal of the American Academy of Dermatology acompanhou 917 homens com calvície por 24 semanas e mostrou que a dutasterida teve melhor desempenho no aumento da quantidade e espessura dos fios.
A dutasterida demonstrou resultados superiores em contagem e espessura dos fios. Esses dados foram reforçados por uma meta-análise publicada na JAMA Dermatology, que posicionou a dutasterida como o inibidor da 5-alfa-redutase com maior eficácia, inclusive em comparação com o minoxidil.
Efeitos colaterais: o que os estudos mostram
Por reduzirem os níveis de DHT, tanto a Finasterida quanto a Dutasterida podem causar efeitos colaterais de natureza sexual, como diminuição da libido, disfunção erétil e alterações na ejaculação. Esse costuma ser o principal receio de quem considera iniciar o tratamento.
Os dados científicos ajudam a colocar esse risco em perspectiva. Em estudos clínicos com finasterida 1 mg, usada para calvície, cerca de 4% dos pacientes relatam efeitos sexuais, em comparação com aproximadamente 2% no grupo placebo, como resume o BMJ .
Já em doses mais altas, como a de 5 mg indicada para hiperplasia prostática benigna, a incidência é maior: cerca de 15% dos pacientes apresentam efeitos sexuais no primeiro ano, contra 7% no placebo, segundo estudo clínico publicado no PubMed .
Esses dados mostram que os efeitos são possíveis e dependem da dose, mas ainda assim atingem uma minoria dos usuários. Além disso, a presença de sintomas também no grupo placebo reforça o papel do efeito nocebo, em que a expectativa de efeitos colaterais pode influenciar a percepção dos sintomas.
Efeitos na saúde sexuais tendem a ser reversíveis
Além disso, um estudo de 2016 publicado no British Medical Journal, com base em dados de uma grande população, concluiu que nem a finasterida nem a dutasterida parecem aumentar de forma significativa o risco de disfunção erétil, independentemente do motivo de uso.
Na maioria dos casos, quando esses efeitos aparecem, eles tendem a ser reversíveis após a interrupção do medicamento.
Para quem tem dúvidas sobre como o tratamento capilar se relaciona com a saúde sexual de forma mais ampla, reunimos mais informações sobre esse tema no artigo sobre como melhorar a ereção.
Qual o melhor?
A resposta direta é que a dutasterida tem eficácia superior documentada em estudos clínicos, chegando a ser até três vezes mais potente que a finasterida na redução dos níveis de DHT. Isso se reflete em resultados melhores de densidade e espessura capilar nos estudos comparativos.
Mas isso não significa que a finasterida seja uma opção inferior para todos os pacientes. Muitos homens apresentam resultados satisfatórios e duradouros com a finasterida, e o perfil de efeitos colaterais das duas substâncias é comparável nos estudos de longo prazo.
A escolha entre elas depende de fatores individuais como histórico clínico, estágio da calvície e resposta ao tratamento ao longo do tempo.
Vale lembrar também que tanto a finasterida quanto a dutasterida são frequentemente associadas ao minoxidil em protocolos combinados, o que pode potencializar os resultados de cada medicamento individualmente.
A avaliação médica é o que define qual combinação, dose e formulação fazem mais sentido para cada perfil.

